Brasileiro que movimenta Depix todo dia: “nunca mais a Liquid recupera a confiança do mercado”
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A reportagem do Livecoins conversou com Felipe Ojeda para entender melhor sobre o último ataque hacker na sidechain do Bitcoin, a Liquid. Como um usuário ativo da rede, ele mostrou sua opinião atual sobre o assunto dias do ataque hacker que levou 4 mil bitcoins que lastreavam tokens.
“Uma falha de segurança grave. A Blockstream, os responsáveis pelo desenvolvimento da arquitetura e os integrantes da federação precisam prestar contas sobre as falhas técnicas, operacionais e de governança que permitiram o incidente“, diz Ojeda, advogado no Brasil e sócio da Moshe Internacional.
Os hackers chegaram a devolver 3.400 mil bitcoins para a Blockstream, empresa que mantém o controle da rede. Para o brasileiro, embora não seja um bitcoin real, a Liquid passava confiança a parte do mercado até então.
“A Liquid, como federação, era confiável por ser praticamente uma multisig guardada por mãos de diamante, sempre foi útil como uma rede alternativa ao Bitcoin na qual se podia criar tokens e transacionar entre eles e Bitcoin com agilidade e segurança, sem se expor ao risco de variação cambial das demais moedas. Liquid não é Bitcoin, L-BTC não é Bitcoin, L-BTC é um token no qual se promete um par com Bitcoin para transacionar dentro desta rede, que é a Liquid“, destaca o usuário da rede.
Ao conversar com a reportagem, Ojeda lembrou que o desfecho do ataque à rede Liquid foi menos pior que o realizado na carteira Coldcard, quando ele perdeu todas as suas economias depositadas.
“Com sorte o hacker foi um white hat hack, ao contrário do caso da Coldcard (do qual eu me lasquei com todas as minhas economias), neste caso houve alguma devolução“, pontuou.
Como está a confiança na rede Liquid agora que as transações voltaram?
Ojeda: “Eu sempre a usei como rede de passagem, tinha fundos baixos, apenas o suficiente para cobrir as taxas que forem necessárias.
Além disso, a Liquid faz transações confidenciais, o que fazia dela um cenário muito interessante para estas transações.
Os tokens que nela circulam como L-USDT, Depix, RWA, estão seguros, uma vez que o que foi comprometido foi o próprio token nativo e seu peg com BTC, mas ainda é um risco cambial (slippage ) de fazer o peg-out da liquid (uma vez que o peg com Bitcoin se dá via book de ofertas, e a notícia, bem como o travamento da rede por 4 dias, representam uma demanda maior por peg-out, haverá um congestionamento na saída, que pode levar a uma perda extremamente desinteressante do peg. Ao invés dos 1 ou 2% de praxe, até 5 ou 10% em momentos críticos).“
Você prefere esperar a rede normalizar o lastro para sacar valores?
Ojeda: “Não há muito o que eu tenha para sacar, então sim, aguardar normalizar, principalmente em relação ao slippage Quem usar tokens como USDT e DePix já tem outras redes que fazem o mesmo serviço (no caso do DePix, a Spark é até melhor do que a Liquid, na minha opinião).“
A posição dos hackers em reter 600 bitcoins é certa na sua visão? Ou a Blockstream está certa em exigir a devolução integral dos valores?
Ojeda: “Um ladrão nunca está correto. O que não faz com que o seu dever de ter uma fechadura segura da sua casa seja reduzido. Não podemos contar com a ética do ladrão. Neste caso ele poderia ficar com 100%. Em troca da não persecução criminal propôs o acordo e enviou 85% dos fundos como prova de “boa-fé”.
A Blockstream está tentando fazer a parte dela, mas a falha, em primeira instância, foi dela própria. E o seu dever atual é não permitir que tal falha produza novos efeitos negativos a seus usuários.
Eu acredito que, devido às circunstâncias atuais, é um bom acordo. De toda forma, creio que a Liquid nunca mais recuperará a confiança do mercado.“
O Depix é uma stablecoin BRL que tem quase metade do volume da rede Liquid, durante os dias parados como foi a situação?
Ojeda: “Tenho um site e alguns bots no Telegram em que faço a intermediação da venda de DePix pela API da própria Eulen, a emissora.
Só uma correção terminológica: a Eulen não classifica o DePix como stablecoin. Trata-se de um criptoativo representativo do real, emitido originalmente na Liquid e agora também disponível na Spark, que busca espelhar o valor do real dentro dessas infraestruturas.
DePix é uma solução fantástica, pois, todas as partes estão em pleno acordo com a lei, a emissora é uma empresa estrangeira, a parte que recebe o Pix (banknode) reporta a venda de DePix para o usuário (cumprindo a extinta IN 1888 e o DeCripto) se mantiver em DePix o usuário não precisa declarar lucro, uma vez que não há ganho de capital (e só haveria obrigação de declaração e multa sobre o imposto não pago, que incidirá necessariamente sobre o ganho de capital).
Neste cenário, o usuário só precisaria declarar caso trocasse DePix por BTC, por exemplo. Ou seja, a decisão de informar a receita (que vaza os dados das declarações anualmente, sem falta, há mais de 20 anos) volta a ser do usuário e não mais da plataforma (uma vez que o próprio usuário pode trocar DePix por BTC ou qualquer outra criptomoeda em uma carteira própria ou plataforma de swap).
O TRADEOFF do Depix: O DePix, assim como o L-BTC, não é Bitcoin, é um token, ou seja, ainda, de certa forma, uma shitcoin, seja na rede da Liquid, seja na rede da Spark. Mas, o que é melhor? Um vendedor p2p informal que comercializa R$30.000 e lucra cerca de R$ 600,00 nestas transações, correndo o risco de ser preso por sonegação dos R$ 30.000), levando o risco a seus clientes, ou, um intermediário que recebe apenas R$ 600,00 em sua participação na intermediação dos mesmos R$ 30.000 por mês feitos por uma empresa idônea, que faz o report conforme a lei e emite uma NF ao final?
O sucesso atual do DePix não é fruto de bom código ou produto, mas de uma demanda, a demanda por liberdade, ainda que no REAL, uma vez que nem todos estão dispostos ou podem (como no caso dos comerciantes que precisam pagar seus fornecedores) a assumir o risco cambial de moedas estrangeiras e das criptomoedas, mas precisam da segurança jurídica que a moeda estatal brasileira não mais fornece.
Enquanto os compradores quiserem Pix precisamos ter ferramentas para aceitar a moeda mais monitorada da “intelligentsia” [SIC] estatal, pelo sistema de pagamentos mais monitorado do gulag brasilis, o DePix é uma solução brilhante para todos cumprirem a lei e ainda assim conseguirem a liberdade que almejam“, finalizou Ojeda.
Vale lembrar que a Blockstream tem culpado os hackers pela apropriação dos 600 bitcoins ainda não devolvidos, indicando que pode acionar até a polícia para ir atrás do valor.
Fonte: Brasileiro que movimenta Depix todo dia: “nunca mais a Liquid recupera a confiança do mercado”
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