Como a tokenização está transformando as finanças corporativas na América Latina
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A história da economia na América Latina sempre exigiu uma postura cautelosa das áreas financeiras das empresas. Ao longo dos anos, as estratégias de tesouraria foram desenhadas para preservar o poder de compra e proteger o caixa diante de desafios como a inflação, a desvalorização cambial, restrições de liquidez e o acesso limitado ao capital internacional.
Esse cenário já começou a mudar. A tokenização e o uso de Bitcoin e outras criptomoedas deixaram de ser apenas tema de debate e passaram a integrar a agenda de empresas e conselhos administrativos. Companhias na região já incluem ativos digitais em suas políticas formais de tesouraria, enquanto plataformas reguladas desenvolvem infraestrutura para conectar balanços locais à liquidez global por meio de ativos tokenizados.
Segundo Jesse Knutson, head de operações da Bitfinex Securities, a tokenização pode ampliar o acesso a capital na região. “Nossa pesquisa recente analisou o potencial das emissões tokenizadas para superar essa lacuna de inclusão na América Latina. Os títulos tokenizados combinam a captação tradicional com a eficiência da tecnologia blockchain, reduzindo custos ao eliminar intermediários e adotar modelos de remuneração mais eficientes”, afirma.
Empresas de capital aberto avançam na adoção
Um dos exemplos mais recentes vem do Brasil. Em 2025, a Méliuz reposicionou sua estratégia para incluir o Bitcoin como ativo de tesouraria. Após aprovação dos acionistas, a companhia adquiriu mais de 604 BTC, incorporando o ativo à sua estratégia de alocação de capital de longo prazo.
O movimento mostra que ativos digitais já podem ser integrados a estruturas formais de governança, com regras claras de transparência, gestão de risco e compliance. Para o mercado, isso reforça a viabilidade de adoção por empresas de médio e grande porte que lidam com volatilidade cambial e limitações de acesso a capital.
Fundos de investimento em cripto ganham espaço nos mercados de capitais
Além das empresas operacionais, o mercado de capitais também começa a criar estruturas dedicadas a criptoativos. Na Argentina, a Zonda Bitcoin Capital foi lançada como uma companhia listada com foco na acumulação de Bitcoin, oferecendo exposição ao ativo dentro de um veículo regulado.
Esse tipo de estrutura permite que investidores tenham acesso ao mercado cripto sem a necessidade de custódia direta, dentro de regras já estabelecidas pelas bolsas e com maior transparência.
Fundos institucionais estão aumentando sua exposição
Na Colômbia, a gestora Protección anunciou planos para lançar um fundo com exposição a Bitcoin e criptomoedas. A empresa administra cerca de US$ 55 bilhões e atende mais de 8,5 milhões de clientes.
A proposta mantém o foco principal em renda fixa e ações, mas inclui ativos digitais como alternativa de diversificação, com limites definidos e alinhados ao perfil de risco dos investidores. A entrada de um player desse porte indica que o Bitcoin começa a ser tratado como parte legítima da alocação de portfólio na região.
Tokenização amplia acesso a ativos globais
Outro avanço relevante está na tokenização de ativos tradicionais. Plataformas como a Bitfinex já oferecem acesso tokenizado a instrumentos como títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Para empresas em mercados emergentes, isso abre novas possibilidades de gestão da liquidez e de proteção em dólar, com maior eficiência operacional. Na prática, amplia o conjunto de ferramentas disponíveis para tesourarias corporativas.
Um novo momento para as finanças corporativas
A combinação entre reservas em criptomoedas e ativos tokenizados começa a impactar não apenas os balanços das empresas, mas também a estrutura dos mercados de capitais na América Latina.
Com maior clareza regulatória prevista para os próximos anos, a tendência é de aumento da participação institucional. Nesse contexto, a adoção de estratégias bem estruturadas, com governança e gestão de risco, será essencial para consolidar o papel dos ativos digitais nas tesourarias da região.
Fonte: Como a tokenização está transformando as finanças corporativas na América Latina
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