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Google publica estudo sobre riscos de computadores quânticos para criptomoedas e revela que 2,3 milhões de bitcoins estão ameaçados

5h ago
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Computador quântico. Fonte: Google/Reprodução.

O Google publicou nesta terça-feira (31) um documento de 57 páginas sobre os riscos de computadores quânticos para criptomoedas que usam curvas elípticas, incluindo Bitcoin, Ethereum e outros projetos, incluindo tokens como USDT e USDC.

Dividido em 9 capítulos, o estudo analisa o problema e possíveis soluções.

Um dos destaques é a menção a 2,3 milhões de bitcoins, avaliados em US$ 153,5 bilhões na cotação atual, considerados perdidos. Em outras palavras, não seria possível migrá-los para endereços resistentes à computação quântica.

Computadores quânticos poderão quebrar algoritmos quando tiverem 1200 qubits lógicos

Logo na introdução, os pesquisadores revelam que uma curva elíptica de 256 bits pode ser quebrada por um computador quântico com 1200 qubits lógicos e 90 milhões de portas Toffoli ou então 1450 qubits lógicos e 70 milhões de portas Toffoli.

Atualmente, os computadores mais avançados já ultrapassam os mil qubits físicos (hardware), mas a taxa de conversão para qubits lógicos (o resultado final) ainda é baixa. O Google estima que são necessários meio milhão de qubits físicos para gerar 1200 qubits lógicos.

Já as portas Toffoli são ainda mais difíceis de serem implementadas, embora isso também esteja evoluindo.

 

Estudo do Google revela quão poderoso um computador quântico precisa ser para quebrar endereço de Bitcoin e outras criptomoedas. Fonte: Google/Reprodução.
Estudo do Google revela quão poderoso um computador quântico precisa ser para quebrar endereço de Bitcoin e outras criptomoedas. Fonte: Google/Reprodução.
Pesquisadores mostram rápido avanço ao longo dos últimos anos. Fonte: Google/Reprodução.
Pesquisadores mostram rápido avanço ao longo dos últimos anos. Fonte: Google/Reprodução.

Embora a ameaça pareça distante, vale lembrar que a computação tem avanços rápidos. Somado a isso, hoje as criptomoedas estão avaliadas em US$ 2,3 trilhões, sem contar o valor de empresas que trabalham direta ou indiretamente com elas.

Os três tipos de ataques possíveis

No capítulo seguinte, o Google destaca que existem três vetores de ataques que poderão ser feitos por computadores quânticos.

  1. Ataques em gastos (curto alcance): Para propagar uma transação na rede, um usuário precisa expor sua chave pública para todos. Neste caso, os computadores quânticos terão uma janela de ~12 segundos no Ethereum e ~10 minutos no Bitcoin para descobrir a chave privada e realizar um gasto duplo.
  2. Ataques em repouso (longo alcance): conforme algumas chaves públicas já estão expostas, seja por endereços muito antigos ou pela sua reutilização, o atacante teria um tempo indeterminado para encontrar a chave privada.
  3. Ataques na configuração: o mais complexo de todos, visando quebrar a segurança inteira de um protocolo de uma só vez.
Estudo revela que êxito dos ataques aumenta ao longo do tempo, mas que a ameaça é maior para moeda com tempo de bloco menor, como Litecoin e Zcash. Fonte: Google/Reprodução.
Estudo revela que êxito dos ataques aumenta ao longo do tempo, mas que a ameaça é maior para moeda com tempo de bloco menor, como Litecoin e Zcash. Fonte: Google/Reprodução.

“Em particular, seria possível categorizá-los pela propriedade de segurança que violam, resultando em uma classificação mais detalhada em ataques à propriedade de ativos (ex: falsificação de transações no Bitcoin), ao consenso (ex: reorganizações profundas da blockchain após comprometer mais da metade dos validadores do Ethereum), à confidencialidade (ex: ataques à desvinculação de endereços diversificados no Zcash), à integridade monetária (ex: criação de novas moedas no Mimblewimble ou em um zk-rollup vulnerável do Ethereum), à solvência (ex: colapso de paridade devido a resgates ilegítimos no Rootstock ou em stablecoins, drenagem furtiva de um pool de anonimato no Tornado Cash), à disponibilidade de dados (ex: falsificação de uma prova de amostragem de disponibilidade de dados no Ethereum) ou à governança (ex: falsificação de votos na Cardano ou em uma Organização Autônoma Decentralizada no Ethereum, tomada de ativos em uma ponte multisig).”

2,3 milhões de bitcoins estão em risco, afirma Google

Em relação ao Bitcoin, o Google destaca que seus endereços possuem variados tipos de scripts, incluindo P2PK (Pay-to-Public-Key), P2PKH (Pay-to-Public-Key-Hash), P2SH (Pay-to-Script-Hash), dentre outros.

O destaque fica para o P2PK já que, como seu nome sugere, a chave pública já está revelada, podendo resultar em ataques de longo alcance.

“Pouco mais de 1,7 milhão de bitcoins (quase 9% de todos os bitcoins) são garantidos por scripts de bloqueio P2PK”, aponta o Google.

Uma forma de proteger esses bitcoins seria movê-los para outros endereços, sejam resistentes a ataques de longo alcance ou então para endereços resistentes à computação quântica, que ainda não foram implementados, embora haja conversas sobre o tema.

O problema é que dentro desses estão 1,1 milhão de moedas de Satoshi Nakamoto, dentre outros bitcoins perdidos. Ou seja, não há como movê-los.

Endereços P2PK foram usados nos primeiros anos do Bitcoin, mas foram rapidamente substituídos por outros tipos. Fonte: Google/Reprodução.
Endereços P2PK foram usados nos primeiros anos do Bitcoin, mas foram rapidamente substituídos por outros tipos. Fonte: Google/Reprodução.
Google destaca que 1,7 milhão de bitcoins em endereços P2PK estão vulneráveis. Fonte: Google/Reprodução.
Google destaca que 1,7 milhão de bitcoins em endereços P2PK estão vulneráveis. Fonte: Google/Reprodução.

“Destacamos o exemplo dos scripts de bloqueio Pay-to-Public-Key (P2PK) do Bitcoin, que protegem mais de 1,7 milhão de BTC. O total de bitcoins inativos vulneráveis a ataques quânticos pode chegar a 2,3 milhões de BTC quando todos os tipos de script são considerados. Diferentemente de carteiras ativas, que podem migrar para novos padrões, ativos inativos não podem ser “corrigidos” por meio de forks que habilitem protocolos de Criptografia Pós-Quântica (PQC) para transações futuras.”

“P2PK, P2TR e P2MS são considerados 100% vulneráveis. Os demais tipos de scripts são considerados vulneráveis por possuírem chaves reutilizadas se (endereços que apareceram em uma Entrada [Input]) E (atualmente possuem saldo em Saídas Não Gastas [Unspent Outputs])”, explica o Google.

Em outra imagem, o Google aponta para as carteiras vulneráveis com o maior número de bitcoins.

Ranking das carteiras com o maior número de bitcoins, divididos pelo tipo de endereço. Fonte: Google/Reprodução.
Ranking das carteiras com o maior número de bitcoins, divididos pelo tipo de endereço. Fonte: Google/Reprodução.

Mineração deve resistir a ataques quânticos por várias décadas

Outra preocupação levantada por investidores é o impacto que computadores quânticos teriam na mineração do Bitcoin, o Proof-of-Work. Neste caso, o estudo do Google aponta que tal ameaça é nula por hora.

“Uma parte significativa da literatura que aborda vulnerabilidades quânticas no Bitcoin parece tratar do uso do algoritmo de Grover para acelerar a mineração, e o discurso informal em mídias sociais e do setor indica uma crença persistente de que computadores quânticos podem representar uma ameaça ao mecanismo de consenso Proof-of-Work do Bitcoin”, inicia o Google.

“No entanto, sustentamos que isso não é nada com que se deva preocupar nas próximas várias décadas.”

Por outro lado, o estudo aponta que, se os bitcoins dormentes começarem a ser roubados, isso fará o preço da criptomoeda cair devido à maior oferta no mercado e pânico dos usuários. Como consequência, isso diminuiria a recompensa dos mineradores, que precisariam desligar suas máquinas, enfraquecendo a segurança da rede, principalmente sobre ataques quânticos de curto alcance.

“Isso poderia levar algumas pools de mineração a desligarem parte de sua capacidade, aumentando o intervalo médio entre blocos. Isso reduziria a taxa de transações e, por sua vez, afetaria a experiência do usuário e tornaria ataques de curto alcance mais fáceis.”

Em outras palavras, um efeito dominó.

Google também analisou impactos no Ethereum, segunda maior criptomoeda do mercado

No capítulo 5, os pesquisadores deixam o Bitcoin de lado para focar no Ethereum. Embora a criptomoeda seja parecida com o Bitcoin, elas possuem diferenças entre si.

Isso inclui o uso de conta com saldo (account-based) ao invés de saídas não-gastas (UTXOs). Em outras palavras, o Ethereum funciona como uma conta de banco e a chave pública estará sempre exposta após o primeiro gasto, já que o endereço utilizado é sempre o mesmo.

Indo além, o Ethereum utiliza Proof-of-Stake ao invés de Proof-of-Work, bem como contratos inteligentes e possui uma grande dependência de soluções de segunda-camada para escalabilidade. Ou seja, um design mais robusto, mas com mais problemas a serem resolvidos.

Google destaca tipos de vulnerabilidades do Ethereum em relação a computadores quânticos. Fonte: Google/Reprodução.
Google destaca tipos de vulnerabilidades do Ethereum em relação a computadores quânticos. Fonte: Google/Reprodução.

Como pode ser visto na imagem acima, isso afeta até mesmo stablecoins como Tether (USDT) e USD Coin (USDC), bem como outros tokens na rede, além dos próprios ethers (ETH) em stake ou não.

Google revela que grandes carteiras de Ethereum estão vulneráveis a ataques quânticos (em laranja). Fonte: Google/Reprodução.
Google revela que grandes carteiras de Ethereum estão vulneráveis a ataques quânticos (em laranja). Fonte: Google/Reprodução.
Além de seus US$ 245 bilhões de valor de mercado, rede Ethereum também é responsável pela segurança de cerca de US$ 200 bilhões em outros ativos. Fonte: Google/Reprodução.
Além de seus US$ 245 bilhões de valor de mercado, rede Ethereum também é responsável pela segurança de cerca de US$ 200 bilhões em outros ativos. Fonte: Google/Reprodução.

O que desenvolvedores devem fazer para proteger as criptomoedas?

Na sequência, o Google aponta que outras criptomoedas também estão vulneráveis a ataques de computadores quânticos. Isso inclui antigos clones do Bitcoin, como Bitcoin Cash, Litecoin, Dogecoin e Zcash, mas também projetos como Solana pelos mesmos motivos.

Além de sugerir a implementação de endereços resistentes a esses ataques, o Google se mostra preocupado com as moedas dormentes de todos esses projetos.

No caso do Bitcoin, os pesquisadores apontam que três abordagens estão sendo analisadas:

  1. Não fazer nada: deixar que moedas paradas sejam roubadas por terceiros.
  2. Queimar: uma data limite de migração é anunciada e, após isso, os bitcoins que não foram movidos ficam inacessíveis.
  3. Hourglass (Ampulheta): estabelecer um gargalo para limitar quantos bitcoins dormentes serão movidos em um determinado período, semelhante à primeira opção, mas limitando o impacto no preço da criptomoeda.

O texto aborda os pontos positivos e negativos de cada opção com detalhes, notando que não existe um consenso sobre qual é a melhor opção.

Finalizando, o Google afirma que a evolução dos computadores quânticos representa uma ameaça séria para as criptomoedas e sugere que profissionais dos dois campos trabalhem em conjunto.

“Nossa constatação de que uma arquitetura supercondutora poderia quebrar o ECDLP de 256 bits com menos de meio milhão de qubits físicos desafia a visão convencional sobre o cronograma dessa ameaça.”

“Não se trata apenas de um perigo distante para chaves inativas; o potencial de CRQCs fast-clock iniciais lançarem ataques on-spend dentro do tempo médio de bloco de dez minutos do Bitcoin coloca transações ativas em risco imediato, desmontando a suposição de que a priorização baseada apenas em taxas seria suficiente para superar adversários quânticos”, finalizam os pesquisadores. “Sustentamos que o tempo restante até a chegada dos CRQCs ainda é maior do que o tempo necessário para migrar blockchains públicas para PQC, embora a margem de erro esteja cada vez menor.”

Fonte: Google publica estudo sobre riscos de computadores quânticos para criptomoedas e revela que 2,3 milhões de bitcoins estão ameaçados

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