Desenvolvedores apresentam proposta para permitir que transações de Bitcoin sejam privadas
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Um grupo de desenvolvedores da Alloc Init publicou nesta quinta-feira (24) uma proposta de protocolo chamada Shielded Bitcoin, visando aumentar a privacidade das transações de Bitcoin.
A diferença para outras propostas, como Covenants e Confidential TX, é que ela não depende de mudanças no código do Bitcoin para ser implementada.
A postagem chamou a atenção da comunidade nas redes sociais, superando a marca de 1 milhão de visualizações. Os comentários são divididos, enquanto alguns se mostram otimistas, outros acreditam que criptomoedas focadas em privacidade continuarão dominando essa área.
Como funciona o Shielded Bitcoin?
Em um paper de 56 páginas, os três desenvolvedores do projeto explicam que o design do Shielded Bitcoin foi baseado na arquitetura do Zcash. No entanto, destacam uma diferença entre as soluções, já que a nova proposta para o Bitcoin não introduz uma cadeia de consenso própria.
Em suma, o valor da transação é convertido em notas criptografadas que contêm o montante, a chave do destinatário e um valor aleatório. Essas notas ficam públicas na rede, mas ninguém de fora consegue saber o que há nelas, incluindo valor, remetente e destinatário.
“1. Alice detém 1,0 BTC na rede Bitcoin.
2. Peg-in: Alice transfere 1,0 BTC para o sistema blindado e recebe uma nota.
3. Transferência blindada: Alice paga 0,3 a Bob; os 0,7 restantes regressam para ela sob a forma de uma nota de troco.
4. Peg-out: Bob transfere os seus 0,3 de volta para a rede Bitcoin convencional.”

A proposta conta com soluções de prova de conhecimento zero (ZK Proof, em inglês) para validar as transações, bem como o uso de ‘nullifiers’, que seria um número de série exclusivo, para a prevenção de gasto duplo.
“[A transação] é enviada como dados comuns de uma transação de Bitcoin e contém três coisas: as notas criptografadas, um número de série exclusivo (chamado nullifier) para cada nota que ela está gastando e uma prova compacta. A prova demonstra três coisas ao mesmo tempo: as notas que ela está gastando existem, ela está autorizada a gastá-las e os valores enviados são iguais aos valores recebidos. Tudo isso sem revelar quais são as notas nem quanto elas contêm. Programas chamados indexadores monitoram o Bitcoin em busca dessas transferências. Para cada uma, eles verificam a prova e confirmam que nenhum dos números de série foi usado anteriormente. Se tudo estiver correto, adicionam as novas notas a uma lista e registram os números de série como utilizados. Como um número de série só pode aparecer uma vez, uma nota não pode ser gasta duas vezes. Nenhum indexador possui autoridade especial: qualquer pessoa pode executar novamente as mesmas verificações a partir do histórico publicado.”
Apesar disso, os próprios desenvolvedores da proposta mostram que ela possui limitações.
Como exemplo, notam que a entrada e saída (peg-in e peg-out, em inglês) são visíveis e dados como valores e horários podem permitir associações com atividades posteriores, dentre outros métodos de associação. Outro detalhe é que essas transações são mais pesadas que transações comuns de Bitcoin.
Proposta chamou a atenção da comunidade, que está dividida
Embora o perfil da Alloc Init tenha menos de 3 mil seguidores, a publicação do seu paper Shielded Bitcoin: Private Transfers on the Bitcoin L1 teve um forte engajamento no X, antigo Twitter, já na marca de 1,2 milhão de visualizações.
Nos comentários da publicação acima, alguns seguidores acreditam que a proposta pode fazer o Bitcoin competir com outras criptomoedas construídas nativamente pensando na privacidade do usuário.
Outros, no entanto, apontam que a proposta não deve competir com as soluções apresentadas por Zcash (ZEC) e Monero (XMR), que operam com ganhos de 204% e 29%, respectivamente, nos últimos 12 meses.
Fonte: Desenvolvedores apresentam proposta para permitir que transações de Bitcoin sejam privadas
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